A jornada ESG de uma fintech começa por um requisito bastante provocativo da SASB: gestão de riscos sistêmicos decorrentes de disrupções tecnológicas. Em outras palavras, em que a inovação realizada pela fintech afeta a comunidade, quais os riscos e as potencialidades desse impacto?
Se a empresa é uma instituição de pagamento, neste país de alta vulnerabilidade social, é provável que a empresa leve o acesso a pagamento digital a quem teve nenhuma ou pouca experiência nessa ação, já que por anos foi um excluído da rede bancária formal. Estar atento se a tecnologia desenvolvida pode aumentar o risco de este cidadão com pouca vivência digital sofrer um golpe e perder o pouco dinheiro que tem é pensar os efeitos sociais da disrupção causada pela tecnologia oferecida.
Logo, pensar ações que colaborem para reduzir esse risco, como medidas de segurança e educação para um comportamento seguro do usuário. Um curso gratuito, on-line, de fácil entendimento para quem não tem vivência digital, seria um caminho? Pode ser que sim. É um tema que requer reflexões e ações assertivas e adequadas a cada modelo de negócio.
A segurança de dados é um tema de tecnologia. Mas também é o principal critério de credibilidade de uma fintech. Por isso deve ser bem comunicado a todos os stakeholders, cada um em seu nível de compreensão. Como ser transparente quanto à segurança de dados é outro tema importante na jornada ESG.
Em cada modelo de negócio, os requisitos devem ser refletidos um a um, junto aos representantes da empresa para construir a Política ou os pilares ESG. O ideal que que seja formado um grupo de trabalho especificamente para este tema. Nada que gaste horas e mais horas de trabalho, e sim um trabalho assertivo e representativo dos múltiplos stakeholders e suas vozes.
Entre os temas relacionados mais diretamente às pessoas, estão as relações de trabalho dignas, a busca pela equidade de gênero, a compreensão e o acolhimento da diversidade identitária, e as medidas de combate ao assédio. É importante que a empresa tenha um posicionamento sobre esses temas que sejam conhecidos por seus funcionários e que exista transparência nessas tratativas. Ainda como parte do processo é fundamental que haja canais específico para tratar desses temas e para eventuais denúncias de práticas divergentes do que está no posicionamento.
Para as reflexões e ações para fora da empresa, é preciso compreender o modelo de negócio e até a localização da empresa. Se o endereço de funcionamento, por exemplo, é numa região da cidade em que há muitos cidadãos em situação de rua, este tema pode se tornar prioritário, vai depender do grupo.
E como estamos falando de uma jornada, a fintech não precisa fazer tudo de uma vez. É um caminhar à medida em que se conquista a maturidade para cada dimensão. É uma melhoria contínua.
É preciso começar.
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